Mensagem do Presidente

Caros Amigos:

Ser Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Arquitectura é uma responsabilidade que eu enfrento com toda a ponderação e responsabilidade. Embora esteja ciente da complexidade daquilo que me espera, sei que me cabia avançar, pelo segundo ano, com uma candidatura à Associação de Estudantes da Faculdade de Arquitectura.

Hoje partilhamos a vontade e a determinação com que, há um ano atrás, iniciámos o primeiro mandato. Um primeiro mandato ingénuo, jovem, cheio de incertezas, medos e inseguranças que cumprimos com grande sentido de responsabilidade e espírito de missão. Por isso, não posso deixar de dar a minha primeira palavra àqueles que terminaram o seu caminho nesta Associação.

O ano que passou foi recheado de acontecimentos marcantes na história da nossa academia. A fusão entre as Universidades Clássica e Técnica de Lisboa marcou o início de um novo ciclo que cumpre o seu primeiro aniversário. É hora de entrar neste barco que se vai afastando, lentamente, do ponto de partida. Parte, certamente, para um destino melhor e nesse porto temos também lugar. Um lugar, certamente, ao sol.

Na maior Universidade do país, com 18 escolas e 50 mil alunos, está também a maior escola de Arquitectura Urbanismo e Design do país. Habitam este espaço – e o que gostamos nós do termo habitar – cerca de 3000 estudantes que querem e exigem o melhor. A excelência tem de estar na primeira ordem do dia. Mas para isso temos de ser protagonistas do nosso próprio futuro.

Um futuro que passa, necessariamente, pela compreensão da nossa história e pela criação de metas. Um futuro sem dependências de escolas ou de sectarismos como um espelho da sociedade do nosso tempo, onde poderão conviver velhos e novos, antigos e modernos, conservadores e reformadores, tradicionalistas e inovadores, desde que animados pelos mesmos propósitos de tolerância, paz, mútuo e recíproco respeito.

A Faculdade de Arquitectura deverá, portanto, dedicar-se, tanto no âmbito nacional como no internacional, do ponto de vista histórico e numa perspectiva actual, à inventariação, descrição, análise, investigação e divulgação das matérias respeitantes, no campo das artes, ao desenho, à arquitectura, ao design, à pintura, à escultura, às artes decorativas, à música, ao teatro, ao bailado, ao cinema e, no campo das letras, à literatura, à história, à filosofia e às respectivas teorizações.

Os princípios que deverão reger o nosso trabalho, de hoje em diante, deverão ser a qualidade, a ética, a organização, a sustentabilidade e, sobretudo, a cultura.

A Cultura é o factor determinante que define o desenvolvimento de um país ou comunidade. É portanto, condição sine qua non na definição da postura da AEFA e da FA a nível pedagógico, científico e social.

A AEFA tem trabalhado e continuará a trabalhar na construção de uma escola próspera e viva nas várias áreas do saber e da Cultura. É nossa responsabilidade zelar, em primeiro lugar, pela FA – porque, afinal, a escola são os alunos – depois pelos estudantes de forma individual – cujos problemas e questões não devem ser negligenciados – e, por fim, pela Associação de Estudantes em si.

Mas se é exigida uma postura responsável e activa da AEFA em variadíssimas situações, nomeadamente na promoção e dinamização de cursos de especialização e formação, no combate político referente ao posicionamento da FA junto de entidades externas, na sensibilização da tutela para questões como a deficitária dotação orçamental da instituição, no debate sobre o RJIES e outras questões regulamentares e estatutárias, na avaliação das medidas propostas pela A3ES, na promoção de actividades de cariz científico e cultural como palestras, debates ou aulas abertas, na definição de um plano científico e pedagógico, no auxílio administrativo quotidiano, entre muitas outras questões, é necessário que a Faculdade de Arquitectura reconheça de forma cada vez mais visível o contributo construtivo dos estudantes oferecendo contrapartidas no apoio a combates fundamentais que se travam diariamente.

A nível de Acção Social, o fim da exclusão de estudantes cujos agregados familiares apresentassem dívidas contributivas ou tributárias foi uma vitória. Mas o caminho a percorrer é ainda longo. A nível de escola, é fundamental implementar imediatamente um programa de emergência que não exclua estudantes já a partir de Setembro.

Permitam-me que vos conte uma história:

Em Setembro, na altura das matrículas, um estudante veio ter comigo e perguntou-me o seguinte:

Não tenho dinheiro para pagar a primeira prestação da propina… (o valor em causa anda à volta dos 300 euros). O que devo fazer?

Após ter corrido os serviços académicos, financeiros e de gestão, fiquei horrorizado com a inflexibilidade do sistema. Respondi-lhe que ainda não tinha conseguido resolver o problema e ele, com um sorriso tímido na cara como se fosse a coisa mais natural do mundo, enquanto se afastava deixou cair esta frase:

“Não faz mal, volto a tentar para o ano…”

Posso acrescentar que através de uma colecta, esse aluno é hoje um caso de sucesso nesta escola e uma mais-valia para esta instituição.

O que não vos posso garantir, infelizmente, é que situações como esta não se tornem a repetir.

Porque o problema não se fica pelos estudantes que não se matricularam. Prolonga-se para lá do horizonte com a diminuição drástica da afluência às cantinas, por exemplo. Porque é que numa mesa com 10 estudantes, só alguns estão com um prato à frente?

É preciso enfrentar de cabeça erguida estes problemas. E para isso temos de estar concertados e unidos até às últimas consequências.

Está na altura de pôr mãos à obra. Juntos somos mais, mais fortes, mais determinados. 

Encabeço uma equipa jovem e motivada a fazer mais e melhor, ciente da necessidade de pôr em prática aquilo que realmente preocupa os estudantes. Porque, afinal, somos estudantes a trabalhar com estudantes para estudantes. Por isso faz sentido falar no plural.

Queremos assegurar a continuidade da AEFA e dos projectos que temos para desenvolver. Isto significa garantir que há gente nova, disposta a aprender, e a transmitir futuramente os seus ensinamentos aos que nos sucederão. Só assim conseguiremos estender a representatividade a todos os alunos da Faculdade de Arquitectura. É imperativo provar aos estudantes que vale a pena o esforço, que é possível continuar a acreditar...

A Associação de Estudantes, mais do que ser uma "empresa" em toda a sua dimensão, deve zelar pelos interesses dos estudantes que representa, sem nunca subestimar a importância do seu papel dentro da Academia. Tendo como premissa base a questão social, é imperativo que sejam tidas em conta algumas questões fundamentais, tal como o papel da Acção Social na Faculdade, os moldes em que estão a ser discutidos os novos regulamentos de avaliação, a pertinência do encerramento da FA à noite e o iminente aumento de preços nos espaços de refeição.

Além da questão interna, não podemos descurar a inclusão da Faculdade de Arquitectura na nova Universidade de Lisboa. Assim sendo, é necessário assegurar que estamos neste novo ciclo com o pé direito. Será um processo longo e trabalhoso, mas os cerca de três mil estudantes da nossa Academia continuarão a ter uma voz através do nosso esforço. Isto, contudo, só é possível através de uma estreita colaboração com as restantes Associações de Estudantes, não só da UL, como de todo o país.

É importante dinamizar a Cultura dentro das paredes da nossa Faculdade. Através de palestras, exposições, instalações, entre outros, queremos aumentar os horizontes da comunidade académica. Afinal de contas, somos uma escola plural em todos os espectros da Cultura. Neste sentido, estamos determinados em contribuir para o sucesso dos Núcleos de Teatro e de Fotografia

O Desporto Universitário merece um investimento, tendo em conta que está a crescer de dia para dia. É fundamental garantir que as equipas têm o apoio necessário para atingir o sucesso que tanto nos tem orgulhado!

O Recreativo tem um papel essencial na formação do espírito académico. Uma das grandes apostas desta Direcção é incentivar e ressuscitar a Tradição centenária e tão portuguesa que é a académica. Através das já conhecidas Tremoçadas e outros eventos lúdicos, pretendemos fomentar o sentimento de comunidade, estreitando os laços entre todos e cada um de nós. A AEFA deve estar presente nos momentos importantes! Isto implica apoiar a Praxe, o Traçar da Capa, a Benção das Fitas, entre muitos outros eventos importantes da vida Universitária.

A Associação está aberta a todos os alunos, a todos os núcleos e a todos aqueles que a procurem. Venham ter connosco! Queremos fazer da vossa ambição a nossa!

Esta é a nossa aposta. Esta é a nossa Visão. Vamos trabalhar para que ela se torne uma realidade...

 

 Saudações Académicas,

 Pedro Roque Domingues

 Presidente da Direcção Geral

 

(vê o vídeo aqui)